O medo muda a realidade

by - maio 05, 2020


E lá estávamos sentados, eu e meu amigo, e toda vez que eu dizia algo que estava em minha mente, ele entendia uma coisa diferente, então me dei conta de que estávamos em diferentes realidades.

Porém, quando fui dizer que estávamos em diferentes realidades, vendo tudo de acordo com nossa perspectiva particular, ele se sentia mal, como se eu estivesse atacando ele. Ele entendia que eu estava falando que ele não entendia nada, por talvez ter algum problema de confiança, porque não era isso que eu queria dizer.

Depois outras coisas aconteceram. Ouvimos uma música que no refrão repetia a palavra “I” (eu em inglês) várias vezes. E enquanto eu falava algo, ele cantou junto com a música “ I, I, I...”

E a princípio eu entendi que ele estava querendo dizer que eu falava de mim o tempo todo. Que estava sempre dizendo: "eu, eu, eu". Eu isso… eu aquilo.

Mas depois entendi que ele estava apenas cantando a música, sem nenhuma razão ou objetivo específico, e que fui apenas eu que entendi aquilo como indireta.

Agora falta saber o porque entendemos diferente. Porque precisávamos ver aquela realidade? Será que eu precisava enxergar a realidade de que falo muito sobre mim e não me interesso pelos outros?

Teve um momento em que ele riu tanto que seus olhos se encheram de lágrimas. Ele estava feliz. Mas eu achei que ele estava chorando, que tinha se emocionado com algo, então lhe dei um abraço. Ele ficou muito feliz com o abraço, apesar de não estar triste de verdade.

Será que eu enxerguei o que ele precisava? Será que depois do “I, I, I” eu consegui parar de pensar só em mim e passei a enxergar mais as outras pessoas? E enxerguei que ele precisava de um abraço? Por isso que na minha realidade interpretei os olhos molhados como choro ao invés de riso, que era a realidade dele?

Em outro momento, ele pulou de um degrau bem alto, sem pensar. E eu vi nisso que ele tinha iniciativa, enquanto o tempo todo eu estava parada e não quis me mover por medo de cair. Bom eu interpretei isso como o medo que eu tenho de agir, posso até querer, mas o medo me paralisa.

Pois bem, ele estava lá, tinha pulado dessa altura que era quase o seu próprio tamanho, e agora não sabia como voltar. Ele simplesmente disse que não conseguia mais voltar para onde estava antes, sentado comigo, mas eu via tudo tão simples.

Eu simplesmente disse: "dá dois passos para trás para pegar o impulso e vem com tudo subindo pela parede aqui para cima". Eu fiz parecer fácil, e ele conseguiu subir!

Um pouco mais tarde, nesse mesmo dia, ele me disse que estava com medo de ir para os Estados Unidos (ele estava planejando uma viagem de 3 meses para lá) e depois não conseguir voltar para a Europa.

Eu perguntei para ele, porque ele tinha esse medo, como se eu recebesse uma intuição da coisa exata que eu deveria perguntar, e ele me disse que acha que é porque foi difícil para ele vir para a Europa.

Então eu lhe disse que isso foi algo que aconteceu no passado. Foi difícil para ele vir para a Europa e ponto final. É apenas uma memória e não uma regra da vida. Ele estava apenas lembrando que no passado foi difícil chegar à Europa e isso não significa que será difícil voltar novamente. Só porque foi difícil uma vez não significa que sempre será assim.

E ELE ENTENDEU MINHA REALIDADE! Ele podia ver da mesma perspectiva que eu e ficou muito aliviado. Ele sentiu aquele peso saindo dele, e ficando mais leve.

E então me lembrei de quando ele estava lá, no último degrau e não podia voltar, mesmo que fosse simples. Talvez o "medo de não ser capaz de retornar à Europa" fosse tão grande que interferisse em outras situações de sua vida, e ele não podia ver que era simples voltar para onde estávamos antes.

Às vezes, criar outras realidades é divertido, como imaginar bons sonhos ou coisas loucas. Mas também às vezes criamos realidades piores, que nos impedem de alcançar o que queremos.

Você também pode gostar

1 comentários

Obrigada por comentar! ツ